Entrevista concedida em 2013 para a 2ª edição da Revista O Capoeira realizada no evento em que se comemorou os 50 anos do Grupo Senzala e que, a efervescência das políticas de fomento para a Cultura atingia um bom momento para o Brasil.

Quando teve o primeiro contato com capoeira? Meu primeiro contato com a capoeira foi no ano de 1983 aos 13 anos com o Mestre Sergio Sabatine, através do meu irmão Tarcísio Ribeiro também Mestre de Capoeira. Em 1992 passei a treinar no Grupo Senzala com o Mestre Ramos, e me formei Mestre em julho de 2012. Sou a primeira mulher corda vermelha do Grupo Senzala em 50 anos de existência.

E a mulher capoeirista nesse universo ainda predominantemente masculino, como é? A mulher vem cada vez mais conquistando espaço profissional em diversas áreas, na capoeira não é diferente, apesar deste universo ser predominantemente masculino. A participação profissional como atleta tornou-se uma realidade. Muitas escolas, grupos de capoeira tem a participação feminina como maioria. A cada dia que passa mais mulheres estão percebendo a capoeira como profissão.

Mais dedicada, disciplinada e organizada, mesmo diante das dificuldades dentro e fora da roda de capoeira ela luta para conquistar espaço, busca conhecimento técnico e histórico. Hoje, as mulheres não se preocupam apenas em jogar capoeira. Conhecer a capoeira na sua plenitude, a história, a importância como instrumento de educação e de identidade cultural. Tocar berimbau, cantar, conhecer as tradições e rituais que envolvem não só a capoeira, mas outras culturas é parte desse processo. A capoeira está cada vez mais dentro de um processo de transformação organizacional. Neste sentido a mulher está conquistando seu espaço com muito amor à capoeiragem que encanta a todos.

O que pensa a respeito do processo de Salvaguarda da Capoeira e para o Ofício do Mestre coordenado pelo Ministério da Cultura, IPHAN e Fundação Cultural Palmares? Sim, tenho conhecimento do processo.  Todo reconhecimento à cultura é benéfico e necessário. Não tenho acompanhado o suficiente para colocar em palavras o meu ponto de vista em relação ao assunto. Ainda faltam informações mais clara e objetiva. Muitos capoeiristas não sabem do que realmente se trata este processo.

O Grupo Senzala completa meio século de atividade, o que isso significa você? Fazer parte desta Escola (Grupo) é um grande orgulho. O Grupo senzala de capoeira é uma escola que influenciou vários capoeiristas, inclusive na minha formação. Saber que faço parte desta história é uma grande responsabilidade, ainda mais sendo a primeira mulher corda vermelha nestes 50 anos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui