Os mestres de capoeira vêm, há décadas, semeando seus conhecimentos para os alunos, graduados e formados, transmitindo alegria, vida e cultura a toda a sociedade que o prestigia.

Os capoeiristas transformaram a capoeira em um esporte rentável. Os mestres com uma atitude empreendedora vendem seus conhecimentos para os seus alunos.

A capoeira deixou de ser somente um movimento cultural de resistência e os mestres vendem seus conhecimentos. Dessa maneira, os alunos, para adquirirem essa cultura, precisam possuir condições para custear o aprendizado.

A arte da capoeira deixa de ser um movimento de periferia, de guetos, de pobres e passa a ser praticada nas academias, clubes e lugares particulares, beneficiando uma parcela da sociedade privilegiada socialmente.

Ao ser  inclusa e comercializada, ela cria barreiras e somente as pessoas que possuem condições financeiras possam a ter acesso as instruções. As barreiras economicamente criadas fazem com que outras pessoas, provindas de classes menos privilegiadas, não consigam obter acesso às informações que a capoeira proporciona.

Os mestres potencializam seus alunos. Esses clientes, ao praticarem a capoeira, adquirem valores culturais, melhoram a resistência física e potencializam seus dons artísticos.

Os mestres empreendedores ensinam seus conhecimentos para os alunos e coloca a capoeira em evidência, vendendo uma imagem positiva e, consequentemente, aumentando a renda financeira.

O Brasil é um país emergente, desta forma, convive com períodos de crise econômica.

Os líderes culturais, mestres de capoeira que somente vivem da renda provida da capoeira, dependem do bom funcionamento de sua academia. E, por motivo social e cultural, de seus alunos pagantes, fonte de maior potencial para a renda. Se não tiver interesse em praticar a capoeira, acaba por criar uma crise financeira para o seu próprio negócio.

Quando a academia do mestre estiver passando por uma crise financeira, cabe os alunos mais antigos, constituídos de discípulos tendo graduação de formados, professores, contra-mestres e mestres, realizarem uma reunião que mude essa realidade financeira negativa.

Normalmente, são propostas de cursos, aulas, viagens, para que o mestre consiga melhorar em termos financeiros.

Os alunos se utilizam do próprio recurso da capoeira, e o transforma em renda.

É de responsabilidade dos alunos mais graduados arrumar meios e contribuir para manter a academia. Muitos se organizam e criam um caixa financeiro, que é utilizado para suprir as necessidades da academia em caso de crise.

Os alunos e os discípulos precisam de referência. Sem uma referência, os capoeiristas ficam sem estímulo e até mesmo sem identidade.

Os alunos que ajudam, contribuindo para que o mestre que estiver em crise econômica não sofra e nem perca o estímulo de praticar essa arte de cultura popular, está demonstrando respeito e consideração à arte da capoeira e ao mestre.

O local onde a capoeira está instalada é um ponto sagrado, cheio de conhecimentos e valores de nossos ancestrais. Cabe apenas ao líder mestre de capoeira decidir se irá continuar utilizando esse espaço.

Jamais o aluno discípulo poderá abandonar seu mestre em um momento de crise financeira. Ele deve, mais do que nunca, lutar e persistir para que o trabalho de seu líder cultural não se perca.


Mestre Biro – Capoeira e Escritor

Autor dos livros, Capoeira, cultura que educa, o Carroceiro e a Irmandade

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