Por Jairo Malta – Sons da Perifa – Ilustrada

‘Remédio para racista é bala’, diz Nic Dias em nova música

Raiva, indignação e polêmica são os ingredientes para o novo single da cantora paraense Nic Dias, “Remédio pra Racista é Bala”. Traduzindo versos como “rima de preto é carnificina”, a rapper Nic Dias, ao lado do cineasta paraense Vlad Cunha, diz dar uma resposta ao do genocídio da juventude negra brasileira.

A música já disponível nas plataformas de streaming anuncia o seu primeiro EP, “1.9.9.9.”, projeto aprovado pela Lei Aldir Blanc Pará com produção executiva da Psica Produções.

Narrando a reconquista do poder do povo preto e a destituição do império branco, a letra da música conta a história de um assassinato como via para rebater o racismo institucional. No clipe, ela é a protagonista de um sequestro e da tortura de um personagem que representa o racismo no Brasil. “Eu acredito que não há como ter justiça sem equidade, sem ter uma reação pro racismo que as pessoas cometem. ‘Remédio pra Racista’ é justamente essa reação. Tudo que a gente faz gera um efeito e violência gera violência”, justifica Nic sobre a música, já conhecida pelo público que frequenta os shows. “As pessoas se identificaram muito com as coisas que eu falo nela e acho que precisava de alguém pra falar sobre isso”.


A violência sofrida pelos pretos é um dos temas centrais da obra de Nic Dias, que mora em Icoaraci, distrito periférico da capital paraense. Desde os 14 anos, Nic escreve poemas e crônicas sobre a realidade que vive ao lado de sua mãe, que sempre a acompanha nos palcos.


Para dar cor e ainda mais vida ao universo da letra de “Remédio pra Racista é Bala”, Nic teve parceria do cineasta paraense Valdimir Cunha, que já dirigiu filmes para Dona Onete, Felipe Cordeiro, Molho Negro, e assina co-direção no documentário Brega S/A. Vlad se inspirou no universo estético do grindhouse dos anos 70, marcado pela decadência urbana, o desencanto e a violência contada através de peças de baixo orçamento. Essa violência de gangues urbanas dos Estados Unidos no período da Guerra do Vietnã foi traduzida para o sentimento de revolta da população negra brasileira.

“O clipe é uma tradução do sentimento de tá no limite que o que a letra da Nic fala muito. Até que ponto alguém aguenta e consegue viver com essa violência racista cotidianamente e intermitente? A gente começou a construir esse universo dessa gang que a Nic tem, e que está ali com ela numa situação de dar o troco. Tudo em uma fotografia muito claustrofóbica e propósito”, detalha Vlad sobre o videoclipe.

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