Projeto da USP discute colonialidade na arquitetura “demonumenta” explora história e patrimônios tradicionais, memória e realidade aumentada; conteúdo dos encontros está disponível no site do projeto e no canal da FAU USP no Youtube.

No mundo todo, os monumentos estão sob contestação. O processo foi catalisado pelos protestos após o assassinato de George Floyd, homem negro morto por um policial branco em uma abordagem violenta nos Estados Unidos. Na cidade de São Paulo, diversos patrimônios arquitetônicos “incômodos” vêm sendo questionados por grupos e movimentos sociais. Entre os casos mais radicais, estão a pichação na estátua de Borba Gato e no Monumento às Bandeiras, um dos mais famosos ícones turísticos da cidade. Ambos foram alvos de protestos que os apontam como símbolos escravagistas.

As críticas aos monumentos espalhados pelas cidades passaram a ocupar também as salas de aula por meio do projeto demonumenta. Envolvendo disciplinas que se estendem do campo artístico ao tecnológico, o projeto pretende ser uma plataforma com textos, modelos 3D de monumentos selecionados e análises feitas com recursos de visão computacional sobre acervo. O objetivo é investigar padrões estéticos e seus desdobramentos políticos e ideológicos.

“Há várias ações no mundo todo que vêm pensando modos de trabalho em rede que permitam novos formatos de apreensão do patrimônio histórico, tensionando as narrativas oficiais”, conta Giselle Beiguelman em entrevista para o site da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.

Coordenadora do projeto junto de outros cinco docentes da FAU, Giselle explica que o demonumenta surge como uma estratégia de extensão universitária on-line, além de uma resposta ao contexto dos protestos e à “urgência em criar um espaço de reflexão e ação sobre o tema na FAU-USP”.

O projeto passou por uma etapa de encontros preparatórios, durante os dois primeiros meses do ano. Nesta fase, as discussões contemplaram monumentos e patrimônios arquitetônicos “incômodos” relacionados às comemorações da Independência do Brasil e à Semana de Arte Moderna de 1922.


Atualmente, em sua segunda etapa, o desenvolvimento se dá em grupos de trabalhos, que analisam: história urbana, histórias e patrimônios indígenas e afro-diaspóricos, realidade aumentada, visão computacional e estéticas da memória.


A documentação dos encontros é publicada semanalmente no site, assim como as referências compartilhadas nos debates. Confira clicando aqui.

Liderado pela FAU, o demonumenta propõe um debate aberto sobre a colonialidade embarcada nas instituições, monumentos, arquiteturas e acervos públicos. O projeto é realizado com apoio da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária e em interlocução com outras instituições e centros de pesquisa, como o CITI – USP, o C4AI – Inova USP, o MIT Open Documentary Lab e o PISA

Reunindo semanalmente cerca de 70 participantes, o projeto também se prepara para organizar uma exposição, prevista para 2022, e há articulações em curso para uma possível frente de ação com o Museu Paulista da USP. Os conteúdos específicos já começaram a ser desenvolvidos a partir de cinco Grupos de Trabalho, que envolvem alunos da graduação, da pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo e Design e outros membros do coletivo.

Realidade aumentada, arte, territórios e patrimônio histórico são temas que vêm gerando iniciativas de pesquisa em todo o mundo. “Mas demonumenta é o único que propõe um modelo pedagógico e visa à construção de uma plataforma pública que possa subsidiar outros projetos, envolvendo diversos perfis de participantes em sua modelagem paritária. Esse aspecto é central no projeto”, destaca Giselle.

Saiba mais sobre o projeto em https://sites.usp.br/demonumenta

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui