Um encontro inesperado, antes disso, porém, o que existia entre nós era uma espécie de relação platônica. Afinal, como já escrevi alguns domingos atrás, comprava o jornal aos domingos logo cedo para saborear as crônicas de Rubem no silêncio da noite.

O encontro com Rubem Alves dessa vez não foi através das páginas do caderno C, foi pessoalmente. O inseparável e coincidente dia aconteceu no pitoresco e antigo saguão do aeroporto de Viracopos. A fila para o ckeking analógico não era tão longa, mas nem tão curta que me permitiu a abordagem sem interrupção.


Os cabelos brancos, ainda restante na cabeça o revelaram entre os transeuntes. Ele não se incomodou, com a paciência franciscana me sorriu as gargalhadas ao ser confrontado. – Com licença, você é o Rubem Alves?


Os transeuntes na fila pareciam perdidos com a conversa. Mal sabiam se tratar de Rubem, o Alves. O privilégio era meu, eu o reconhecera. Mas a coincidência do dia a que me referia era que carregava sob minhas mãos o livro Navegando.

Foi certeiro, já me presenteara com tamanho afeto, escreveu algumas palavras na parte posterior do livro, onde se localizava a pequena vela do seu barco. E o que é a vela num barco, o que é um barco solto no mar?

O café segundo ele ficaria para a próxima, a fila caminhava a passos lentos e sua viagem era iminente. Rubem Alves viajou no tempo sem que pudéssemos saborear um cafezinho, um na companhia do outro. Como vê; Rubem permite a viagem da imaginação, quer com palavras quer com desenhos fictícios em nossas mentes.

Enfim, para resumir o encontro. Rubem Alves sempre atiça a imaginação. As crônicas dele são como velas que nos permite viajar, são como barcos soltos no mar que permite a liberdade de pensar e de viver a vida como deve ser vivida; com afeto, carinho e respeito ao tempo das coisas como elas verdadeiramente são. Excelente domingo como deve ser.

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