Na ótica da sociedade brasileira, principalmente das autoridades dominantes, algumas pessoas que possuem o poder de decisão, isto é, aquelas que podem contribuir para liberar locais, aceitar projetos, colaborar e patrocinar a capoeira. Devido ao pouco conhecimento da cultura afro-brasileira, demonstram uma visão preconceituosa sobre esses valores e por isso não colaboram efetivamente como deveriam.

Os mestres, para manterem suas atividades sociais, esforçam-se buscando apoio na comunidade para que a cultura permaneça viva.

A capoeira é um esporte, é uma arte popular, um movimento de expressão cultural, uma luta de resistência social que possui história, tradição, fundamentos e simbologias. Ela representa a história da criação do povo brasileiro, povo oprimido que foi e é guerreiro e que não se deixa abater pelas adversidades.

A história da colonização brasileira demonstra que após a tentativa frustrante de utilizar os silvícolas como escravos, lançou-se mão dos nativos do Continente Africano, de onde milhares de vida foram retiradas de suas terras e vieram servir o Brasil colonial.

Nesse cenário, os negros capturados na África foram desumanizados e tiveram a cultura, a língua, as religiões e os saberes ignorados e marginalizados por uma política que condenavam pessoas pelo gênero, raça, etnia, cor, religião, padrão cultural e outras formas de identidade diferentes dos padrões europeus.

Considerados  condenados da terra pelos colonizadores portugueses, os negros e seus descendentes não tiveram direito à dignidade, e seus saberes, juntamente com sua história, língua, cultura, criações e descobertas foram tolhidos e ignorados.

Para recuperar a dignidade perdida, os afro-brasileiros criaram inúmeros movimentos de resistência, visando resgatar raízes e identidades sociais e culturais.

Um dos movimentos de representação contra a exploração dos colonizadores, que os negros e os índios desenvolveram no Brasil colonial, é a capoeira.

Luta de resistência social, a capoeira foi proibida, perseguida e discriminada pela sociedade opressora. E, mesmo após a passagem do período escravocrata brasileiro, encontram-se ainda na contemporaneidade vestígios do preconceito e discriminação para quem a pratica e a representa.

O Brasil continua ignorando os saberes dos guardiões, mestres de capoeira, que buscam incessantemente resistir e assegurar os conhecimentos junto com as tradições e valores sociais e culturais dos ancestrais.


Mestre Biro – Capoeira e Escritor

Autor dos livros, Capoeira, cultura que educa, o Carroceiro e a Irmandade

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