Voltar a origem e a vida em comunidade é o que temos, e é onde está a nossa integridade. Voltemos aos quilombos responde Teia Camargo à pergunta, quais são as suas ideias para adiar o fim do mundo?

A pergunta conhecida por muitas pessoas tem na capa de um livro uma provocação capital instigada por um grande pensador brasileiro, o líder indígena e intelectual Ailton Krenak. Autor do livro Ideias para adiar o fim do mundo, cuja obra inspirou o início da conversa com Teia Camargo. O resumo do papo na gira da roda você confere a seguir.

 Coisa do Interior

No dia 09 de abril Téia Camargo promoveu e mediou um encontro altamente produtivo e promissor entre gestores e fazedores culturais da região central do Estado. O que saiu dali foi esse encontro a dois por meio do google meet. As reflexões sobre a relevância das políticas culturais e de fomento para os municípios do interior paulista como Pirassununga, Porto Ferreira, Descalvado e Salto não se esgotou nessa primeira live. Esse é o ponta pé inicial de muitas outras conversas.

No início foi o título, a curiosidade do que se poderia descobrir com as Coisas do Interior através do canal no Youtube. Teia Camargo, autora e gestora do projeto em Pirassununga tem se destacado na tarefa de juntar gente. E juntar gente nesse momento não é fácil, mas quando o assunto é cultura a aglomeração é certa, nas redes.

De acordo com ela, essas articulações se dão por conta da necessidade de criação e movimentação cultural, principalmente nesse momento de pandemia. “É de gêmeos com ascendente em gêmeos essa inquietude frente ao processo criativo” justifica a comunicadora social, cuja origem se assenta na cidade de Ribeirão Preto, e que aos 18 anos despediu-se da casa dos pais e foi para o Nordeste teorizar as sua práticas, decididamente.

Téia, nome que se confunde com TEIA; grande reunião cultural promovido pela Lei Cultura Viva, dos Pontos de Cultura e da Diversidade, e que a exemplo da geminiana com ascendência em gêmeos, se caracteriza pelo ajuntamento de gente movida a criatividade, solidariedade e colaborativismo, personificados em seus projetos como As Coisas do Interior e a Alma Preta.


Da cidade de Pirassununga, região central do Estado de São Paulo Téia mobiliza diversos agentes culturais das mais variadas formações, e de diferentes municípios para debater e propor caminhos para as políticas culturais.


São onze anos dedicados as tarefas de pesquisa, criação e produção. Isso é possível porque, segundo Téia, as diretrizes que orientam suas ações estão fundamentadas em três dimensões da ação cultural; a arte, a religiosidade e a ciência. “Acredito, não há separação entre essas coisas, afirma Teia.

A cultura é um remédio contra a pandemia, é um princípio ativo contra a ignorância que se alastra pelo Brasil. “O momento clama por socorro” vocifera essa pequena agitadora de Pirassununga que não se conforma com os status quo.

“Diante desse cenário, temos a necessidade de criação. A cultura é o nosso lugar, de ser e estar”. Em Pirassununga a Festa de Iemanjá é lei. Uma das diretrizes do Projeto Alma Preta é não baixar a cabeça. A cultura é nossa.

Alma Preta é uma iniciativa local e de entrevistas com personalidades da comunidade negra de Pirassununga. Dedicado aos ancestrais da cultura afro-brasileira, ao povo negro no Brasil e na África.

Cultura Intermunicipal, encontro realizado no dia 09 de abril que discutiu políticas culturais e economia criativa

O Corredor Cultural. Termo bastante pontuado no encontro entre os gestores é um movimento intermunicipal da cultura, e que reúne agentes de Pirassununga, Porto Ferreira, Descalvado, Leme, Salto e desemboca em Mogi Guaçu; é desafiante. Não existe atritos geográficos porque não existe um recorte territorial definido, é tudo hibrido e plural explica Téia.

A utopia é o horizonte. A troca de experiências e os relatos extraídos desse encontro intermunicipal foram ricos. No início da conversa Téia provoca os participantes a uma reflexão sobre a gestão da política cultural alinhada entre poder público e sociedade. Trata-se da gestão compartilhada. O questionamento é se essa ferramenta ainda seria possível, ou se ela gravitaria na esfera da utopia?

Dentre as falas destaque para duas posições. Marcos Pardim, consultor, escritor e ex-gestor público disse que a utopia é o horizonte, numa referência ao pensador uruguaio Eduardo Galeano.

E o que seria o horizonte? Um ponto concreto de chegada. Seria a direção e realização do sonho; uma vontade em movimento. Caminhar é estar ligado a utopia. Como converter isso? Ao invés da bíblia, os tambores provoca Téia.

Pautar a utopia. Alessandra Paganotto Diretora de Cultura de Descalvado propõe uma reflexão a respeito da reissignificação da utopia nesse contexto cultural de transformação. Para ela é importante uma práxis utópica, uma prática regular e metodológica. Do contrário, nada acontece; ir para a prática implica termos um diagnóstico qualificado explica Paganotto

O saldo. Para Téia, o encontro resultou numa clareza ainda maior quanto a noção de uma ideia de cultura intermunicipal. A partir daí pode haver entendimentos no sentido de formular propostas de fomento para esse corredor cultural. É necessário ouvir os conselhos, as cidades e à partir das conferencias pensar num movimento em escala para que essa troca seja permanente, lembra Téia.

O movimento cultural é assim, as pessoas chegam e se aglomeram. É uma roda terreirizada de conversa e aprendizado. É uma confluência de saberes das mais diferentes origens. Basicamente isso definiria um encontro de fazedores, gestores, produtores e agitadores culturais em qualquer lugar do Brasil.

A pandemia no entanto, aliada a gestão federal de desserviço em qualquer campo da administração pública neutralizou esse ajuntamento, ao menos fisicamente, e por enquanto. De imediato, e de posse do saber digital; agentes culturais criaram as condições para que os encontros se realizassem de uma outra forma. As famosas lives ou conferencias tem preenchido essa lacuna por ora, nesse universo plural e dinâmico.

Para que tudo isso flua e conflua são imprescindíveis pessoas com disposição e paixão para que as coisas aconteçam. Teia Camargo é uma dessas pessoas. E muitos outros círculos e diálogos já estão armados, pode ter certeza.

 

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