A escravidão dos negros no Brasil tinha o propósito atender às necessidades políticas do colonialismo. O povo negro foi desumanizado e escravizado. Ter os africanos e seus descendentes por escravos demonstra que o povo oprimido tinha que ser inferiorizado perante os brancos colonizadores, seus opressores. Diante disso, qualquer atitude que o negro tivesse ou fizesse era errado ou proibido.

Mesmo em uma situação desfavorável, os negros, durante o período da escravidão, criaram uma luta de libertação, utilizando o próprio corpo como arma, e a malícia da ginga como defesa.

A capoeira surgiu sendo luta de povos oprimidos, constituídos de índios e negros que a criaram para defesa pessoal e, principalmente, para ajudar a libertar do jugo da escravidão. A prática da capoeira foi proibida por Decreto número 847, de 11 de Outubro de 1890, no seu artigo 402, que proibia capoeiragens, podendo ter pena de condenação de prisão por dois meses.

E a necessidade de esconder a identidade fez com que os capoeiristas utilizassem apelidos para serem reconhecidos em seu meio social e, ao mesmo tempo, os ajudassem a se camuflar numa sociedade repressora. Atualmente, na capoeira, os apelidos são dados para a aceitação e reconhecimento.

Mastigar chicletes enquanto estiver puxando o treino de capoeira não deve ser uma prática dos professores ou mestres, pois demonstra falta de respeito, incomoda e dispersa a atenção dos alunos, além de atrapalhar o canto e a fala junto aos capoeiristas que estão treinando.

Os mestres e os professores são exemplos para os alunos, portanto eles precisam zelar pela sua aparência e comportamento.

Como educadores, no momento em que estiverem puxando os treinos, eles não devem falar palavrões, pois se isso acontecer por causa de um aluno, este se sentirá constrangido, envergonhado e desrespeitado. E, se usar palavrões para xingar os acessórios de capoeira, ele estará desrespeitando a arte que ensina.

De modo geral, as pessoas que costumam falar palavrões são vistas por toda a sociedade como mal-educadas e, na capoeira é a mesma coisa, pois demonstram sua falta de respeito e de paciência.

Às vezes, por empolgação, o educador vira-se de costas ignorando a presença dos alunos, deixando de dar atenção, de cumprimentar e de se aproximar e, iniciando o treino, realiza a roda de capoeira e, após todas as atividades, simplesmente se despede.

Atualmente, os mestres, professores e graduados vêm se policiando para terem bons hábitos, não deixando que a imagem de líderes, companheiros, educadores, caiam no conceito dos alunos.

A capoeira é um esporte onde as pessoas se comunicam com muita facilidade, criando o ambiente para se fazer amizades.

Com o passar do tempo o capoeirista se gradua, e a graduação, para algumas pessoas, dá a sensação de conhecimento. Porém o capoeirista que pensa assim, por falta de maturidade, não se interessa mais em fazer movimentos de base e, em vez de treinar naturalmente e repetir os movimentos básicos da capoeira, começa a escolher só fazer movimentos complexos ou prefere treinar com graduados e formados.

Esse aluno, por desconhecer que a capoeira é uma cultura popular em que a criatividade humana faz com que se torne rica em movimentação, o capoeirista recém-graduado, por despreparo, escolhem com quem deve pegar os treinos na academia.

Ele só quer treinar com o seu mestre, não se sente bem treinando com os seus companheiros da mesma graduação ou com outros de graduação inferior à sua e, quando treina com outros da mesma graduação fica disperso, dando palpites no treino, realizando mudanças nas sequências ou auxiliando os mais novos.


Mestre Biro – Capoeira e Escritor

Autor dos livros, Capoeira, cultura que educa, o Carroceiro e a Irmandade

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