A prática e a aprendizagem da capoeira podem ser feitas de várias maneiras, pois ela é uma arte flexível, adaptável e bem aceita.

Hoje,  mestres dessa valiosa arte, além de ensiná-la para seus alunos e discípulos, fornecem oportunidades de contato para ajudar na construção de valores, tais quais: educação, relacionamento, cidadania e ética, encaminhando seus seguidores para uma vida mais equilibrada e saudável.

As instruções educacionais, a postura na roda, o respeito para com as pessoas e para com os instrumentos afro-brasileiros, a participação e a interação social com os praticantes, são temas ensinados nas aulas, no momento da orientação da modalidade capoeira.

Quando um mestre ensina a capoeira sente também a necessidade de cuidar dos valores dos seus antepassados, repassando suas experiências vividas de uma forma prazerosa, dando oportunidade para que seus alunos e discípulos experimentarem e compreenderem o significado do que é ser capoeirista, e assim, poderem ou não optar em seguir esse estilo de vida, ou seja, chegarem a ser agentes multiplicadores dos valores dessa arte e da cultura popular.

Essas instruções fornecem recursos e fundamentos para compreender como a capoeira se encontra na atualidade, reconhecer o passado, entender melhor o presente e projetar o futuro.

Foto Juliana Vitorino

O mestre utiliza a história da capoeira, trazendo-a para a realidade atual a fim de fazer com que os seus adeptos passem a ter uma consciência crítica, podendo analisar a situação em que a arte se encontra, qual o estágio da sua aceitação na sociedade, e como eles mesmos podem contribuir para que haja número maior de praticantes.

Tal maneira de ensinar baseia-se na edificação de valores dos capoeiristas, tendo como propósito trazer benefício para suas famílias, a comunidade e a sociedade que se encontra inserido.

Transmitir conhecimento da modalidade é muito mais do que fazer e refazer golpes e exercícios físicos, porque a capoeira é uma luta de liberdade, sendo forte, e ainda persistente e resistente, como a história do povo brasileiro.

Atualmente, é comum alguns grupos que possuem uma quantidade expressiva de participantes buscarem afirmação e aceitação perante a sociedade capoeirista.

Muitas vezes, os mestres ficam tão empolgados com o número de participantes em seus grupos, que acabam por desenvolver verdadeiros capoeiristas-gladiadores.

Os capoeiristas podem jogar, lutar e vadiar a arte da capoeira. Quando se trata de jogo, eles buscam o crescimento e o envolvimento do próximo, apontando falhas para que se obtenha crescimento mútuo.

A luta está na postura de capoeiristas que querem se impor através da violência e da agressividade, afirmando serem eles superiores aos outros.

Já a vadiação é o diálogo, a realização do jogo com manha cheia de malícia, buscando brincar com a vida, sorrir para o inimigo, colocar limites sem agressividade, mostrando a eficiência e a beleza de forma harmônica e prazerosa nos seus passos e movimentos.

É necessário que os mestres que comandam os grupos de capoeira tenham por meta não apenas o número de adeptos, pois a capoeira possui valores educacionais, culturais e também ajuda na postura ética dos seus praticantes. Tudo isso serve para ser aplicado em seu meio social, construindo assim, um ambiente mais saudável na comunidade.

Um praticante dessa arte e cultura popular afro-brasileira deve acreditar que ela, além de uma arte, possibilita resgatar e preservar valores humanos e trabalhar a favor da alegria, do bem-estar, do amor, do respeito à arte e a todos os praticantes da modalidade, independentemente do grupo e do estilo aos quais pertençam.

É preciso aprender a ver a capoeira como uma luta de paz e uma forte ferramenta capaz de buscar a solução contra os preconceitos raciais, étnicos e culturais.

Saber utilizar bem a força que a capoeira tem é saber articulá-la para o bem comum. Desconhecer os benefícios que ela traz é reproduzir capoeiristas problemáticos que não acreditam na capoeira para o cultivo e a vivência de valores esportivos, sociais e culturais.


Mestre Biro – Capoeira e Escritor

Autor dos livros, Capoeira, cultura que educa, o Carroceiro e a Irmandade

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