Diante de uma sociedade que nos desumaniza, “Cadernos Negros” tem sido afeto, importante arma contra essa história do “não ser” que nos foi contada. Foi assim 20 anos atrás quando tive contato com o livro e continua assim até hoje

Texto: Akins Kintê | Imagem: Acervo Pessoal

Quando os Racionais MC’s lançaram o disco “Sobrevivendo no Inferno” (1997) eu estava com uns treze anos. Era vendaval e eu folha seca inútil sendo levado cada vez mais para fora de um mundo de possibilidades. Minha realidade enquanto moleque preto, da Zona Norte, filho de pai preso e de mãe limpando banheiro do zoto, era sem compreensão desse mundo racista e que me sufocava.

O final da década de 90 foi mil grau. O disco, com os quatro pretos mais perigosos do Brasil, colocou não apenas eu como a minha geração em contato com os nossos lances de negritude. Esse álbum e o “Cada vez mais preto” (1992), do grupo DMN, são marcos e me fizeram buscar ler livros, entre eles a “Biografia do Malcolm X” e “Negras Raízes”. Assim fui tecendo também uma rede de aconchego, desmanchando a força da incapacidade que silenciosamente nos obrigam a usar.

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