Por Francisco Lima Neto
Fotografia Mayara Amorim
Edição de Imagem Renan Garcia

Nos próximos dias 19 e 20 de março (sábado e domingo) acontece, no Espaço Cultural CIS Guanabara da Unicamp, o Festival Gastronomia e Arte Indígena (Dja Wyaa Embiapó Temby’u Ete, na língua guarani). O evento, organizado por mulheres indígenas do Coletivo e Ponto de Cultura EtnoCidade, une cultura, arte e gastronomia tradicional indígena. Mais de 20 etnias participarão, com dezenas de atividades.

Durante dois dias, os visitantes poderão experimentar diversos pratos da gastronomia indígena, como o Aribé Mydzé, típico do povo Kariri Xocó, que leva peixe, arroz, feijão, verduras e coco. Outra iguaria em evidência é o Txydjo Yato’do Ky’ay, do povo Fulni-o, composto por tilápia assada na folha de bananeira, arroz e folhas verdes. O povo Guarani Mbya marca presença com o Pira Txuun Rewe,  feito de caldo de peixe com paçoca de banana verde e arroz branco. O Povo Pataxó participará com o Mukussui, uma moqueca de peixe servida com pirão e arroz branco. Os visitantes também poderão provar a Pururuka pó’i arü, bebida tradicional da etnia Tikuna, produzida com banana madura cozida.

O festival terá também exposições e venda de arte e artefatos de diversos povos; apresentações de canto e dança; pintura corporal; embelezamento indígena; rodas de conversa sobre cultura e práticas indígenas, como alimentação, ervas medicinais e visão de mundo, além da instalação fotográfica
O festival terá exposições e venda de arte e artefatos de diversos povos; apresentações de canto e dança; pintura corporal; embelezamento indígena; rodas de conversa sobre cultura e práticas indígenas, além da instalação fotográfica

Typa Pakowa Güigua são salgados feitos com massa de banana verde. Os tradicionais têm recheio de frango, carne ou presunto e queijo. As opções veganas são recheadas com carne de jaca ou carne de soja.

O festival terá também exposições e venda de arte e artefatos de diversos povos; apresentações de canto e dança; pintura corporal; embelezamento indígena; rodas de conversa sobre cultura e práticas indígenas, como alimentação, ervas medicinais e visão de mundo, além da instalação fotográfica “Somos Um”, da fotógrafa Mayara Amorim, do povo Tupi Guarani, que retrata o indígena no contexto urbano.

Lu Ahamy Guarani, presidenta do EtnoCidade e coordenadora do evento, diz que o objetivo é promover a divulgação e  integração das culturas indígenas. “A gente quer integrar mais a sociedade com as práticas e a cultura indígena. Queremos mostrar nossos costumes, e desmistificar a ideia de que não se pode usar  nossos artefatos. Pode sim, mas a base de tudo é o respeito. E o respeito nasce do conhecimento”, argumenta a líder indígena.

“O festival é uma oportunidade única de conviver com os indígenas aldeados ou que estão em contexto urbano, trocar experiências, conhecimentos, descobrir pontos em comum e também a visão de mundo desses povos”, completa.

Música

O festival terá a participação especial de Lino Yapura Huaman, músico peruano da etnia Quéchua, de Cusco, que toca instrumentos andinos desde os 12 anos. O som suave de suas flautas de madeira e  bambu tem sido usado como musicoterapia.

O evento é realizado em parceria com o Ponto de Cultura Areté e Centro Cultural da Unicamp (Estação CIS Guanabara) e conta com apoio das seguintes instituições: Fundo Filantrópico Agbará,  Ponto de Cultura NINA, Terreiro Vó Benedita, Integrantes do Urugungos, Casa de Cultura Tainã, Portal Hora Campinas e Movimento Campinas Criativa.

Sobre o EtnoCidade

É um Ponto de Cultura que atua em Campinas e região dando visibilidade às tradições indígenas e não indígenas no contexto urbano, com ações voltadas para instituições culturais, educacionais e sociais. Foi fundamental na articulação para a vacinação prioritária dos indígenas em Campinas, incluindo os estudantes da Unicamp.

SERVIÇO

Festival de Arte e Gastronomia Indígena – Dja Wyaa Embiapó Temby’u

Horário: Das 10h às 20h.

Local: Estação CIS Guanabara. Rua Mário Siqueira, 829, Botafogo, Campinas – SP.

Entrada e estacionamento gratuitos

Fonte: Jornal da Unicamp

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