Para jogar capoeira faz-se necessário o uso de uma roupa que dê a sensação de liberdade e que facilite a prática e o desenvolvimento dos movimentos nos treinos e nas rodas.

Antes de haver uma padronização da roupa dos capoeiristas, eles usavam um modelo de calça quadrada e larga, um estilo que fazia referência àquelas que os negros usavam para o trabalho ou como vestimenta na época da colonização do Brasil. Essa calça era de algodão, de um tecido conhecido como pano cru de algodão.

A roupa branca passa então a ser um símbolo de resistência e uma identidade cultural do povo e dos seus descendentes afro-brasileiros, que eram a força da mão de obra produtiva no período da colonização do Brasil. Atualmente, essa calça é usada em rituais, nos esportes e festas religiosas ligadas à cultura afro-brasileira.

A capoeira é uma valiosa expressão da cultura brasileira e uma parte viva da história do nosso país. O que foi desenvolvido e criado por escravos e praticado somente por homens, atualmente possui adeptos de ambos os sexos, diversas etnias, classes sociais e faixas etárias. As primeiras calças oficiais eram feitas de pano de saco, mas rasgavam com facilidade. Em seguida, passaram a ser confeccionadas de pano cru, e por fim, de helanca, sendo todas na cor branca, seguindo a tradição.

A helanca é um tipo de tecido usado nos uniformes das atividades esportivas escolares, que serviu de modelo para os capoeiristas, os quais aproveitaram a ideia e passaram a usá-la também nos seus uniformes.

O uniforme de capoeira tinha um modelo feito exclusivamente para atender o perfil masculino, e as mulheres se utilizavam do mesmo uniforme usado por eles. As calças ficavam “ensacadas” e não ofereciam nenhuma elegância. Mas, devido à  aceitação social, atualmente o público feminino vem cada vez mais aderindo à capoeira, representando, muitas vezes, a grande maioria nas academias e exercendo influência na criação dos uniformes.

Com a presença deste novo público, o uniforme de capoeira, que havia sido elaborado e projetado para atender ao perfil masculino, perdeu o seu radicalismo. As capoeiristas adaptaram o uniforme às suas necessidades e contornos, dando mais equilíbrio e valorizando o corpo feminino, em busca de  melhor expressão, de  visual mais bonito e de  estética mais adequada.

Os homens também perceberam a importância de ajustar seus uniformes e conseguiram  visual mais bonito, além de um caimento mais perfeito, expondo o físico trabalhado. Assim, os uniformes de capoeira ganharam  novo estilo.

A vaidade das mulheres fez com que os uniformes de capoeira fossem moldados à moda da sociedade atual e  introduzidos os tops e as blusas. Sem dúvida, as mulheres tiveram grande influência cultural no modo de vestir dos capoeiristas!

É importante que um capoeirista use um uniforme que lhe ofereça segurança e conforto. O tecido deve ser durável e de fácil conservação, e o modelo deve possuir  bom corte e  bom acabamento. Com um uniforme mais atualizado e modelado, os capoeiristas passaram a usá-lo na sociedade.

Foram criadas também calças e camisetas de passeios, com cores diferenciadas, com e sem faixas laterais, e com símbolos, desenhos e mensagens divulgando a capoeira. Os uniformes usados para passeio não especificam a graduação do capoeirista e são usados para jogar a capoeira em rodas não oficiais.

Muitas pessoas que não praticam a capoeira também aderem ao uniforme por simpatizarem com o estilo esportivo e o conforto que a roupa oferece, por ser leve e solta.

Elas são usadas em várias situações no meio social, em locais públicos, escolas, igrejas, shows, bem como em prática do lazer, e isso também é uma forma de divulgar e promover a capoeira, que agradece a colaboração na conquista do seu valor e reconhecimento na sociedade.

O uniforme de capoeira é a identidade do capoeirista. O padrão das cores e símbolos, comum nos uniformes, tem por objetivo marcar presença nos eventos, nas apresentações, além de reforçar a interação e a força do grupo de capoeira. O pioneiro no uso do uniforme para a prática de capoeira foi o renomado mestre Pastinha. Ele usou o amarelo nas camisetas e o preto nas calças, apossando-se das cores do seu time, o Ipiranga, da Bahia.

Porém, a aceitação do uniforme pelos capoeiristas é mérito das mulheres, que se preocuparam com a estética e implantaram um estilo que foi adotado por toda a sociedade, inclusive estimulando o seu uso e dando motivo de orgulho e satisfação a todos os adeptos e simpatizantes.


Mestre Biro – Capoeira e Escritor

Autor dos livros, Capoeira, cultura que educa, o Carroceiro e a Irmandade

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